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> Maratonas

Histórico
Em 1987 eu trabalhava dando terapia em sessões
individuais e grupos de bioenergética e percebia
que muitas questões da infância afloravam
em nossos pacientes. Eu já tinha feito o
Processo Fischer Hoffman, que trabalhava profundamente
a infância, e ele havia sido muito importante
para mim, mas eu via alguns defeitos e vícios
do processo terapêutico, como a falta de um
trabalho corporal. Então, topei com o desafio
de montar um trabalho similar e tem sido um grande
sucesso.
Ma Deva Vereesha, que tem um raro conhecimento
sobre o ser humano, trabalhava comigo e, ao longo
dos anos, muitos outros terapeutas ajudaram o desenvolvimento
do Pai & Mãe. Seguimos aprimorando esse
trabalho durante 19 anos e fomos cada vez mais nos
aprofundando, criando um processo mais sólido
e aberto.
Ao longo desses anos, já aconteceram 49
Processos de Pai & Mãe. Estamos chegando
ao qüinquagésimo com uma média
de 14 pessoas por grupo. Já se somaram 686
pessoas que fizeram esse trabalho e, o que é
interessante, é que ele foi sempre crescendo
também em números. Começamos
com grupos de 7, 9, 15 pessoas e, nos dois últimos
grupos, contamos com 28 e 37 pessoas respectivamente.
Dentro deste último, havia 11 pessoas da
Europa. O Pai & Mãe já teve 46
edições em Porto Alegre, uma em Belém
do Pará e duas na Holanda.
Por tudo isso, e pela sua profundidade e competência
terapêutica, o Pai & Mãe é
hoje um trabalho reconhecido mundialmente como um
bem precioso para o desenvolvimento do potencial
humano. Além disso, os terapeutas e toda
a equipe que faz parte do trabalho também
cresce emocional e pessoalmente.
Agora, eu espero que você esteja nesse qüinquagésimo
Pai & Mãe e sinta o gostinho de tudo
isso.
Com amor,
Milan
Por que Pai & Mãe?
Simplesmente porque é o nosso início.
Porque nos deram a vida. É a primeira referência
que nós temos, o primeiro homem a primeira
mulher a quem amamos e de quem dependíamos
totalmente para sobreviver, tanto física,
quanto emocionalmente.Necessitávamos do seu
toque, do seu carinho, da sua aprovação,
validação, compreensão; simplesmente
porque isso são coisas fundamentais para
uma criança, é tão importante
quanto comer, se vestir.
É tão importante, porque independentemente
dos ressentimentos que tenhamos, nós continuamos
querendo sua aprovação, sua validação.
Ainda hoje esperamos aquela frase, “puxa que
bom que você é meu filho, minha filha...”,
mesmo que tenhamos já 50 anos. Jamais esquecemos
esse amor ou a falta dele. Outros amores já
passaram, mudamos de parceiros, parceiras, mas pai
e mãe serão sempre os mesmos.
A criança chega a esse mundo totalmente
aberta e tem uma necessidade profunda de ser amada.
A forma como a criança é tratada,
ensinada, o tipo de amor que tem é determinante
das nossas características como adultos,
da nossa estrutura básica. É determinante
também da maneira como nos relacionamos no
mundo adulto. Muitas vezes, acabamos procurando
parceiros que são similares aos nossos pais,
pois tivemos muitas faltas em nossa infância,
é como se nós quiséssemos realizar
essas relações do passado, satisfazer
certas necessidades que não foram preenchidas.
Nossos pais eram bem intencionados, todos eles queriam
o melhor para seus filhos.
Mas será que eles tinham esse amor para
dar? Será que eles foram amados nas suas
vidas? Será que foram pessoas realizadas?
Ou tinham suas próprias faltas, carências,
medos? Independente disso, existe uma verdade: nós
tínhamos a necessidade de ser amados, tocados
e ensinados a expressar e compreender nossas emoções.
Talvez, vendo papai e mamãe expressarem seu
amor, sua tristeza, sua raiva, sua alegria, seu
prazer e, vendo ainda, que eles tinham consciência
de seus sentimentos, eles pudessem ser uma referência
para
nós.
Mas, o que acontece normalmente, é que
papai e mamãe acabam despejando sua raiva
e frustrações em cima dos filhos.
Ou é a carência e os desejos não
realizados de papai e mamãe que acabam se
tornando um peso para seus filhos. Muitas vezes
ainda, ouvimos os pais dizerem - ou fica subentendido
- que eles fazem tudo por causa dos filhos e que
têm uma vida difícil e infeliz por
isso. Na realidade, eles não conseguem lidar
com suas próprias questões da vida
e acabam fazendo com que os filhos se sintam 'errados',
'inadequados', 'incapazes' e carreguem uma enorme
culpa.
Quantos de nós têm um sentimento
de “não consigo, não sou capaz”
hoje, na vida adulta? Ou, morremos de culpa perante
outras pessoas e acabamos nos submetendo a situações
desnecessárias? Quantos seguem, sem sequer
perceber, os modelos de papai e mamãe, adotando
seus valores? Ou, acabam se rebelando fazendo o
extremo oposto como por exemplo: se papai é
bem sucedido, eu acabo sendo um fracasso em tudo...
Se mamãe é muito autoritária
eu acabo virando o submisso e morro de medo das
mulheres...
Papai e mamãe eram dois seres humanos com
qualidades e defeitos, com acertos e erros. A vida
inteira nós, de certa forma, escolhemos não
enxergar tudo isso simplesmente por que nos dói,
mas isto não resolve. Não enxergar
nunca foi solução de nada.
Se você quiser ver, existe uma quantidade
enorme de razões para você ir mais
fundo na sua infância, na sua história.
Você pode até achar que isso não
é importante porque já esqueceu, bloqueou,
jogou no porão, mas tudo isso está
agindo inconscientemente em você, com aqueles
seus “sintomas emocionais” e atitudes
automatizadas que você simplesmente não
entende. Para sermos adultos e crescermos emocionalmente,
precisamos tomar consciência do que se passou
e expressar todos os sentimentos que bloqueamos.
Só assim poderemos ser mais maduros e responsáveis
por escolher o melhor em cada momento, vivendo não
mais os medos e limitações do passado,
mas a realidade presente com todas as suas múltiplas
possibilidades.
O Processo de Pai e Mãe
O Processo de Pai & Mãe é uma
profunda jornada que inicia com os conceitos teóricos
que tratam da formação do nosso inconsciente.
Ou seja, de como as vivências da infância
registraram uma espécie de programação
- tanto mental quanto corporal e emocional - fazendo
com que a gente responda automaticamente às
questões que surgem ao longo de toda a vida.
Por dois dias inteiros trabalhamos conteúdos
teóricos, intercalados com trabalhos corporais
e meditação, e assim começamos
a investigar a programação que adotamos
como repetição ou re-ação
aos nossos pais. Essa investigação
começa com um processo de resgate às
memórias infantis, revitalizando a memória
que está em nosso corpo e em nossa mente.
Nesta primeira fase, trabalhamos com a resistência
que temos em enxergar realmente as situações
que nos feriram e as conseqüências delas
em nossa vida.
Então começamos outra etapa, onde
o foco primeiro é a sua história e
relação com sua mãe e depois
passa para seu pai. Tanto na parte de mãe,
quanto na parte de pai dividimos o processo em três
fases:
1ª Fase: Dor
Através de exercícios de bioenergética,
gestalt e meditações vamos abrindo
espaço para trazer à tona e expressar
a dor da falta, ausência, indiferença,
abandono, carência - tudo aquilo que nos
feriu - pois dessa forma, poderemos nos tornar
menos carentes, menos dependentes. Essa vivência
é muito importante, pois fará com
que a criança possa expressar tudo aquilo
que não pôde em sua infância
e, mesmo se sentindo sensível e vulnerável,
você compreenderá que agora é
um adulto que pode tomar conta de si mesmo. É
um momento em que há muito choro, um choro
lá de dentro da alma. Às vezes,
nos sentimos como um bebê, como uma criança
de três, quatro anos, mas ao mesmo tempo,
sentimos um alívio em todo o nosso ser.
Alexander Lowen (psiquiatra, criador da terapia
bioenergética) fala
em seu livro Alegria: “Acredito que
as pessoas tenham mais medo de sua tristeza do
que de qualquer outra emoção, isso
pode parecer estranho, pois não ocorre
a alguém que a tristeza seja um sentimento
ameaçador, mas esse medo está conectado
com a profundidade da tristeza. Na maioria dos
pacientes, a tristeza beira o desespero e, consciente
ou inconscientemente, as pessoas temem que se
renunciarem ao seu esforço para agüentar-se,
afundarão nas profundezas do desespero
sem a menor esperança de sair. Mas se não
se permitirem sentir seu desespero, passarão
suas vidas lutando para ficar de pé sem
qualquer senso de segurança, e certamente
sem qualquer bom sentimento. Ao entrar em seu
desespero, a pessoa pode descobrir que ele teve
origem numa situção de infância
e que não é relevante para sua vida
de adulto. Situações da vida adulta
podem disparar sentimentos de desespero, porque
estão conectadas com situações
similares do início da infância que
deram margem a esse sentimento, um adulto consegue
substituir a falta de um amor perdido, mas uma
criança não consegue, por esforço
próprio, substituir o pai ou a mãe.”
(Alegria, A. LOWEN, pag. 45)
Porque Chorar é Bom
Segundo Lowen “(...) a mudança
profunda e significativa só pode ocorrer
por meio da entrega ao corpo, por meio de um revivenciar
emocional do passado, o primeiro passo nesse processo
é chorar. Chorar é aceitação
da realidade tanto do presente quanto do passado.
Quando choramos, sentimos ou percebemos nossa
tristeza, nos damos conta de o quanto estamos
magoados e da extensão de nossa mágoa.
Todo paciente tem alguma coisa de que chorar,
assim como a
maioria das pessoas de nossa cultura. Alguns pacientes
dizem, 'já chorei muito, mas não
faz bem'. Isso não é verdade, chorar
não vai mudar o mundo lá fora, mas
vai mudar o mundo interior, vai aliviar a tensão
e a dor.” (Alegria, A. LOWEN, pag.
46)
2ª fase: Raiva
Nesta etapa começa a acusação.
Começamos a investigar as características
e atitudes que eles tiveram. Faremos listas com
essas características e estudaremos profundamente
como reproduzimos ou nos rebelamos com isso na
vida atual. Expressamos profundamente a raiva
de todas as situações infantis em
que nos sentimos oprimidos, humilhados, agredidos,
desrespeitados. Serão momentos de contato
com uma raiva jamais experimentada antes, um ódio...
Como se nossa criança voltasse no tempo
e se permitisse expressar tudo o que sentiu naquelas
situações. Toda a raiva pela dor,
pelo amor frustrado, pelo carinho que não
veio... Isto fará com que você se
sinta forte, capaz e assim possa soltar os ressentimentos
do passado.
Segundo Lowen: “a raiva é uma
emoção importante na vida de todas
as criaturas, posto que serve para manter e proteger
a integridade física e psicológica
do organismo. Sem a raiva ficamos impotentes quanto
aos ataques que a vida nos sujeita.”
(Alegria, A. LOWEN, pag.85)
Como em nossa infância não podíamos
expressar essa raiva, ela ficou presa dentro de
nós, criando tensões e bloqueando
a energia de nosso corpo, quando a re-vivenciamos
e a expressamos, resgatamos esse poder, essa força,
o que gera uma profunda cura ao nosso organismo.
O trabalho de raiva tanto na parte da mãe
quanto de pai durará mais ou menos 3 dias.
Finda essa parte você sentirá um
profundo alívio, uma paz e um amor enorme
por si mesmo. São sensações
incríveis, que nenhuma palavra consegue
descrever, como se você tivesse renascido.
3ª fase: Compreensão
e Compaixão
Esta é uma fase muito importante, pois
é o momento em que você vai poder
compreender seus pais. Vai entender o porquê
das tantas vezes em que eles agiram como agiram
e vai ter também a oportunidade de perdoá-los,
pois esta é a forma de soltar o passado.
Afinal, é com esse perdão profundo
e verdadeiro que você poderá crescer
e soltar os sentimentos do passado. Vai poder
passar de uma criança magoada e ressentida
a um adulto livre, que pode determinar seu próprio
caminho. Estará vivendo suas próprias
vontades e necessidades e não mais vivendo
uma reação às situações
vividas em sua infância, o
que significa maturidade.
Bem vindo a esta grande viagem ao seu mundo interior.
“Algum dia, hás de encontrar
contigo mesmo e somente de ti depende se será
a pior ou melhor de tuas horas.”
Resultados
São 19 anos de trabalho de Pai & Mãe
e o que nós vimos e ouvimos foi uma enorme
satisfação das pessoas. Nunca se ouviu
alguém dizer que não valeu a pena.
Os resultados foram diversos para os objetivos e
expectativas de cada um. Mas todos saem com uma
maior compreensão de sua infância e
da conexão dela com suas vidas hoje. Muitos
abriram as portas para poder amar, sentir, se realizar
profissionalmente. Todos, ou quase, melhoraram a
forma de se relacionar com as outras pessoas e,
principalmente, sua sexualidade, assim como, obtiveram
uma maior compreensão sobre sua relação
com seus filhos.
Alguns terminaram o Pai & Mãe e se deram
por realizados. Muitos outros, seguem seu caminho
de crescimento fazendo algum trabalho terapêutico
e/ou meditação, tanto no Namastê
quanto em outros espaços. Todos conseguiram
uma maior proximidade com seus pais e, ao mesmo
tempo, uma maior independência deles.
Não é um trabalho que vai resolver
todos os seus problemas, mas que pode solucionar
coisas básicas e abrir portas e novos caminhos
para uma vida mais amorosa, mais profunda e mais
intensa.
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