Sannyas: Shanti Lu
Significado: Paz |
Nasci no exato momento em que sol e lua formavam uma quadratura no céu de Porto Alegre. O desafio: conciliar masculino e feminino, mente e coração, arte e ciência. Na luta pela sobrevivência (tive uma infância difícil, tentando encontrar algum espaço e amor entre cinco irmãos), minha criança se tornou um misto de rebelde da família com a aluna de ótimas notas do colégio. Sempre gostei de aprender coisas novas, era curiosa e falante. Gostava de ler, cantar e dançar mais do que de bonecas, até porque já brincava de casinha na vida real, cuidando da casa e dos irmãos. Com 10 anos me considerava praticamente uma adulta e, com os problemas aumentando em casa, já queria ser independente.
Desde cedo quis trabalhar para ter uma vida mais legal não só materialmente, mas também culturalmente: queria ter grana para ir mais ao cinema, a shows, comprar livros... Assim, aos 14 anos iniciei em meu primeiro emprego. Passando pelas mais variadas atividades: de caixa de supermercado, a vendedora de automóveis. Ficava pouco tempo no mesmo trabalho. A rotina me cansava logo e eu partia para aprender coisas novas e conhecer pessoas diferentes, mas deixava escondido o sonho secreto de trabalhar com arte, como se esperasse um milagre que um dia iria acontecer.
Entretanto, o primeiro milagre que me aconteceu foi o amor. Me apaixonei intensamente aos 16 anos de idade por um colega de aula. Foi um amor muito bonito. Éramos dois adolescentes cheios de amor e loucos pra mudar o mundo. Compartilhávamos a paixão pela arte e pela política, então, eu sentia que não estava mais sozinha nas “vontades revolucionárias” que sentia desde a infância. Descobrimos o amor, o sexo e a boemia juntos e lutávamos loucamente (ao menos nos discursos) contra a babaquice e o reacionarismo. Nós e nossos amigos de então queríamos realmente fazer a diferença e esta fase foi fundamental na minha vida e no que vim a me tornar depois.
Com 18 anos, fiz meu primeiro curso de teatro e, simplesmente, amei. Toda a mágica da criação e do palco que mexiam comigo desde menina, tomando suas primeiras formas concretas no mundo. Estava fazendo meu cursinho pré-vestibular e aí era aquela indecisão. Apesar do gosto pela arte, mal cogitei a idéia de fazer qualquer curso nesta área, morria de vergonha sequer de assumir isso. Havia todo o peso de garantir a sobrevivência de uma forma independente, e como gostava muito de lidar com pessoas, movimentos sociais, políticos e já tinha militado no movimento secundarista, acabei por fazer Ciências Sociais na UFRGS.
No início também as Ciências Sociais não eram suficiente fonte de renda, por isso, me tornei autônoma de publicidade, atividade que exerci por muitos anos. Mesmo com a vida acadêmica, sempre busquei me envolver diretamente com as pessoas, fosse através de pesquisas, encontros ou no magistério. Me graduei em 1996 e foi bom vencer mais essa etapa da minha vida. Trabalhei com organizações sindicais, movimento popular urbano e saúde, desde a graduação até 2004, mas estava meio perdida e ainda sentia que faltava algo mais...
Com 19 anos tentei uma nova experiência com teatro. Fui fazer uma oficina com um importante diretor de teatro gaúcho e, acabei a oficina com a sensação de ser um fracasso. Mas minha criança também era teimosa, não desisti. Timidamente, fui buscar alternativas que me permitissem aprender mais a me expressar artisticamente.
Como era elogiada cantando em roda de amigos e, desde criança em apresentações no colégio, resolvi entrar para um Coral. Foi uma experiência ótima porque além de aprender e exercitar o canto, este grupo começou a fazer montagens grandes com ótimos diretores de teatro, músicos e coreógrafos. Espetáculos que envolviam mídia, patrocínio e onde os cantores tinham que fazer um pouco de tudo. Chegamos a ir para Portugal com nossas montagens e eu aprendi muito sobre todo o processo de produção de um espetáculo musical.
Já estava tendo um gostinho disso, desde a primeira experiência com teatro, então, paralelo aos trabalhos na minha área de formação, que me garantiam o sustento, continuei cantando, estudando teoria musical, fazendo tentativas com instrumentos musicais e até voltei ao teatro, mais especificamente musicais, com experiências bem sucedidas pessoal e profissionalmente. Acabei me focando mais na música, com idas e vindas que culminaram na formação da banda Anahatta, com a qual gravamos um CD e vencemos diversos festivais. Com a banda eu pude também assumir publicamente meu lado compositora, o que foi um segredo até os meus 28 anos.
Todo esse processo de auto-aceitação, validação e expressão do meu lado artístico estava intimamente relacionado a um período de grandes descobertas e passos na minha vida pessoal. Dois acontecimentos desse mesmo período foram fundamentais para todo o meu crescimento: o início da terapia no Namastê, que iniciei com 4 meses de gravidez, e a chegada da minha filha Mariana.
Dois anos depois entre muitos conflitos, idas e vindas, abri meu coração para um amor mais profundo e resolvi fazer a formação em bioenergética, e claro, isso também transformou minha vida. Meu crescimento interno floresceu e começou a dar frutos mais concretos, visíveis no campo pessoal, profissional e das minhas relações como um todo, o que me levou a outros níveis de consciência e amor sequer imaginados antes.
Desde 2002 dou sessões individuais e grupos. Sempre tendo a bioenergética como base, continuo buscando aprender, tendo vivências em Dinâmica de Grupos, dehipnoterapia, renascimento, cadeias musculares, curso de resultados, entre outros.
Sou grata por todas as lições que a existência me trouxe e por sempre querer muito da vida. Acredito que essa "fome de vida" fez com que eu tenha algo a compartilhar. Seja pelas diversas experiências com pessoas e trabalhos diferentes que tive, seja porque, apesar de todas as dificuldades ao longo do caminho, continuo buscando uma vida mais rica e amorosa pra “todos que eu cruzar pelo meu caminho”.
Namastê
Shanti